Auditório Maria de Lourdes Sekeff - Instituto de Artes da UNESP

18 de Outubro de 2025, das 14h às 21h

O II Encontro FIGAS - Heterotopias da Feminilidade: Escrituras e Reescrituras explora a feminilidade e suas (im)possíveis subversões, investigando a feminilidade como topia fundamental das variâncias de gênero. Heterotopia, utopia, topia, tópos: uma superfície, um espaço, um lugar de trincheira aberta. Um significante: um significado? Investigamos as escrituras e reescrituras da feminilidade sob o guarda-chuva de quatro sentimentos, que guiam as discussões das mesas: vergonha, tédio, medo e revolta

Clique aqui para acessar o Livro de Resumos

14h

conferência de Abertura

com Debora Pazetto

14h40

MESA 1 Vergonha

Feminilidade através dos espelhos:
Vênus is a battlefield, Vênus is a wonderland

Mediação: Lídia Ganhito

Ao longo da História da Arte ocidental representações de Vênus sobrevivem inoculando nos corpos brancos como mármore o significado máximo da feminilidade. Permanentemente jovem, branquíssima, lânguida, frágil, desprotegida, assustada: assim posa a feminilidade na pintura. O jogo imposto pelo male gaze é aquele do ocultamento e da revelação do corpo mediado pela vergonha. A feminilidade vai se costurando nos seios, na vulva, no olhar, na cintura, nas mãos de dedos finos. Mas o que acontece quando Vênus desiste de obedecer as regras? E se Vênus começa a trapacear? E se Vênus beija a boca de Ariadne e aprende a puxar um fio? E se Vênus passa a des(a)fiar a feminilidade? Vênus recorta a si mesma, se desfia, se desvia e usa as linhas de seu corpo para costurar outros órgãos, outros olhos, outra tez. Camp(o) de significantes e significados alterados. Alteradíssimos, como se diz das mulheres nervosas: alteradas, frívolas, histéricas. O corpo que se apresenta como campo de batalha pode ser um parque de diversões, uma terra de maravilhas? Para quem? Por quem? O que acontece quando Vênus fica sem vergonha?

Comunicações:

Entre Trincheiras

Leila Pessoa e Georgi Andres (UDESC/PPGAV)

tráfegos pudicos pelos públicos

Pacor (Unesp)

Levantamento de peso com os seios

Leire de Meer

desloucando o “ser mulher” sob o céu de Vênus

Sandra Vilchez (FIGAS)

16h30

MESA 2 tédio

Feminilidade bela, recatada e do lar:
é muito chato ser uma “Mulher”TM?

Mediação: Rafael Percino

A feminilidade é encarnada pelos gestos, pelos hábitos e pelo destino do corpo onde é inculcada a existência inquestionável da Mulher™. A cisheterossexualidade se apresenta como destino indelével da vulva feminina. Mais que o se sentar de pernas cruzadas repousando as mãos sobre o joelho enquanto desvia o olhar para baixo, em respeitoso sinal de pudor, a feminilidade se inscreve marcando uma boa esposa: acolhedora, maternal, faz boa comida, deixa a casa linda, lava os pratos, veste os filhos, os maridos, os móveis. Presa no seio familiar, a Mulher™ está de saco cheio da performance cisheterossexual e como a personagem Betty Draper - de Mad men - procura uma metralhadora para atirar nos pássaros da repetição. Estafada das estampas nos estofados do hetero-lar pequeno-burguês, a Mulher™ sai para passear. Como escapar das performances enfadonhas da normalidade? O que vem depois de tornar-se mulher, heterossexual, cisgênera? E se a Mulher™ for pirateada? E se as marcas de gênero forem falsificadas? O muro conjugal da complementaridade masculina/feminina estabiliza sujeitos universais homem/mulher cuja potentia gaudendi é explorada em ciclos infinitos de frustração pelo capitalismo contemporâneo. A heterossexualidade gera os lucros das pílulas e dos viagras. No entanto, as tecnologias de estabilização podem ser desviadas. Viadadas. O que acontece quando a Mulher™ pula a cerca da sua universalização?

Comunicações:

ponto cheio

Raquel Santos (Unesp)

Lugares da mulher®: onde pisam nossos pés quando falam(os) de nós?

Ana Gabriela Braga (Unesp)

hidden in plain sight

Lídia Ganhito, Mariana Pougy e Pacor (Unesp)

17h35

Coffe Break

com Anne Courtois

18h

MESA 3 medo

Levar a feminilidade na cartucheira:
o desejo é uma máquina de guerra

Mediação: Pacor

Usar a feminilidade como martelo para construir uma casinha na árvore. Vestir um cinto de ferramentas e colocar as mãos na massa para inventar espaços despreocupados de prazer e descanso. Se armar com a feminilidade, desarmar a feminilidade. Ferramenta para abrir a caixa das feminilidades masculinas ou das masculinidades femininas: female husbands, tomboys, fanchonas, bofes, sapatões, transmaculines, butchs, trans*gressores da coesão, funambulistas da contradição. Ferramenta para desparafusar os diques da feminilidade normativa: matilha de cachorras, putas, travestis, hiperfeminilidades, bichas loucas, peruas, femmes. Transbordamento dos limites do normal, do visível, do aceitável e do reproduzido no camp(o) da incorporação de gênero. Contaminação promíscua de signos masculinos/femininos, crash test das delimitações definitivas. E se a lengua lesbiana infiltrar de léxicos outros a poÉtica das relações? E se pendurarmos a rede do rebuceteio no lugar do isolamento da família? O desejo como máquina de guerra para disputar o medo de ser feliz polinizando destinos inesperados, organizações sociais centrífugas e desafios poliamorosos. O medo de ser puta, o medo de ser macha. E se invertermos a direcionalidade do medo? O que acontece quando os corpos excessivos e excedentes conjugam coletivamente suas improbabilidades?

Comunicações:

Chá de revelação

Daniella de Moura e Marcelle Louzada (FMU)

A Vítima Trágica: Fetichização, Sacrifício e Imaginário na Representação da Mulher

Rafael Percino (Unesp)

Palavra de Ordem

Joanna Leoni (UDESC)

Museu Transgênero de História e Arte I

Ian Habib e Mayara Lacal (UFBA/CUNY)

19h20

LANÇAMENTO DA PUBLICAÇÃO

Heterotopias da Feminilidade

A quarta mesa do dia, sob a égide da Revolta, é o lançamento da publicação “Escrituras e re-escrituras da feminilidade: heterotopias e políticas do sentir”. A publicação é resultado de um processo experimental de escrita coletiva e investigação artístico-acadêmica, atravessado pelas práticas oraculares, leitura de bibliografia crítica cuir-feminista e nossa metodologia de pesquisa contaminada. As atividades do grupo de pesquisa no ano de 2025 se consolidam quando as participantes são convidadas a experimentar modos outros de produção de conhecimento, partindo de seus próprios contextos e práticas investigativas.

Cada autora teve como desafio escrever um artigo com o título “Heterotopias da feminilidade: [subtítulo autoral]”, organizando sua escrita em três partes — introdução, desenvolvimento e conclusão — com estrutura formal segundo as normas ABNT. Cada uma das três seções do artigo deveria estabelecer conexões entre o material oracular produzido coletivamente, a bibliografia crítica do ciclo e as experiências artísticas, acadêmicas e afetivas das autoras. A partir disso, desenvolvemos uma publicação combinatória que reforça o caráter indisciplinado da escrita e a pluralidade epistemológica do projeto. A publicação-livro será lançada em um evento performativo, celebrando a multiplicidade de formas que um “artigo científico” pode assumir.

Com artigos de

Ana Gabriela Braga, Lídia Ganhito, Marina Jerusalinsky Sandra Vilchez, Rafael Percino, e Pacor.

ENCERRAMENTO DA EXPOSIÇÃO

Convite ao Ataque

A Exposição Convite ao Ataque acontecerá entre os dias 10 a 18 de outubro de 2025 na Galeria Alcindo Moreira Filho do Instituto de Artes da UNESP, com obras coletivas e individuais que investigam possibilidades de auto enunciação a partir da monstruosidade. Se o “humano” como forma ideal (homem, branco, europeu, cisheterossexual, sem deficiências) se fabrica a partir da exclusão de seus duplos deformados, monstrificando todas as diferenças éticas, étnicas, culturais, geográficas, raciais, de gêneros e de sexualidades, o que acontece quando a monstruosidade passa a falar de si mesma em primeira pessoa? Mergulhamos nas críticas sudakas ao monstro da dissidência sexual preciadeano do Norte Global, loca-lizando e deslocalizando a monstrificação das pessoas queer, cuir, kuir, viadas, bichas loucas, sapatões, trans* e migrantes. O convite é pela procura pela monstruosidade em nós, monstrificar-nos, falar a partir de si - mais do que de si - encontrando nos marcadores de diferença um caminho desviante, potência disruptiva para atacar a humanidade universalizadora e suas empreitadas de subalternização. A monstruosidade contra-ataca, grunhe, range os dentes, late, escreve, cria, fala e goza.

Com obras de:

Anne Courtois

Carlos V. Santos

Caroline Calsone

ciber_org

Debora Pazetto

Georgi Andres

Kim Cavalcante

Joanna Leoni

Joana Rita

Leila Pessoa

Leonardo Sanchez

Liciane Ketty

Lídia Ganhito

Mares Pougy

Nestor Varela

Pacor

Rafael Percinoo

Sandra Vilchez

Thayna Teixeira